Quantas palavras dizem ter
Do amor suas virtudes alcançado
Quantas bocas fingem ser prazer
Os beijos que são sombra do passado
Não sei porque são desejos teus
Nas minhas palavras procuras
Ler sempre os pensamentos meus
Quem sabe até minhas loucuras
Nas palavras que não te digo
Está toda a minha verdade
Está o homem e o amigo
Está o amor e a amizade
Nada está mais perto da vida
Que um coração arrependido
Conhece do amor a boa medida
Para o tempo que foi por si vivido
Amar é sempre uma surpresa
É a conquista de um novo viver
Amar é ser vida feita de prazer
Sentido que só amando sabe ser
Por milagres que o crer traduz
Ser razão de tantas conquistas
Por suposto do brilho dessa luz
Já não creio em palavras ilusionistas
Quero saber porque é assim afinal
Porque em caminhos incertos me perdi
Se por julgar o certo eu fiz o mal
Se queria estar perto e me afastei de ti
Agora pergunto ao tempo o que foi que fiz
Que razões me fizeram andar assim perdido
Que lágrimas fazem brilhar um olhar feliz
Que alegria consola mais o coração sofrido
Enfim com a razão de novo acreditar
Que tudo na vida tem um real sentido
Quando queremos fazer do nosso gostar
O gosto de tudo o que já foi um dia vivido
Amar é um sentir diferente e inexplicável
Ter amor é de nascensa um bom destino
Viver a vida é ser um amor inquestionável
Seguindo o caminho de um amor peregrino
Não te quero apenas e só por uns instantes
Não te desejo apenas e só por meu prazer
Não te escondo o quanto vivi o que foi o antes
Não te posso pedir o futuro que quero viver
Por palavras podemos hoje dizer ou cantar
Pela dança dar a forma pela tinta dar a cor
Mas apenas e só vivendo em perene o amar
Somos esse ser vida mesmo no silêncio do amor .
Fernando de Santarém
Lisboa 19/06/2014
REINO DE TAMÁRARA
POESIA E ARTE ESCRITA
quinta-feira, 19 de junho de 2014
sexta-feira, 21 de março de 2014
Canto Feliz
Por sorte nasci
Num campo de amor
Por sorte cresci
Na casa do lavrador
Herdei por consequência
Um quinhão de esperança
Um arratel de vivência
Um quartilho de confiança
Uma canada de amizade
Tive moios de abraços
Entre almudes de fraternidade
Encontrei rumo para meus passos
Um alqueire me serviu de banco
Nele sentei meu corpo cansado
Nele vai justiça e para ser franco
Por ele em medida fui honrado
Conheci a medida da quarta
E o cantil ao canto da adega
Numa infância desmedida e farta
Numa carrada feita de trasfega
Talegadas de trabalhos
Tantos que dei e que fiz
Nas cartas feitas baralhos
Que fazem ilusões de petiz
Entre montes de esforço
Correram rios de suor
Gargalhadas fizeram alvoroço
Lágrimas silenciaram a dor
Os baraços ataram a vida
Dos molhos feitos de pão
Carregados na força adquirida
Na igualdade que há no coração
Fui da terra o amanhador
Entre balizas a seara marquei
De mãos cheias fui semeador
Há sombra da oliveira me sentei
Admirado contemplei a vida
Que é fruto de muito trabalho
E na sesta da tarde adormecida
Acordei com as manhãs de orvalho
Segui o carreiro das formigas
Brinquei com as joaninhas
Cantei dos pássaros as cantigas
Aprendi as historias das velhinhas
Andei pelos campos das tradições
De mãos dadas com o passado
Decorei versos e aprendi orações
Fui o arco-íris do céu nublado
Soube dos animais muitos segredos
Das tempestades admirei a grandeza
Tive os meus receios e muitos medos
Mas fui um filho amado da natureza
Sei da fonte o sabor refrescante
Sei do lagar e do odor do túnel
Sei do fumeiro a cor radiante
Das delícias que fizeram o farnel
Dos relheiros casa de bons coelhos
Das eiras o crivo que escolhe o grão
Das lagartas dos piolhos e escaravelhos
Da ternura do gato e da fidelidade do cão
Sei das ervas as mezinhas
Sei do sabor do azeite no pão quente
Sei do aconchego das brazinhas
E do chouriço assado em aguardente
Sei o conforto das camisas do milho
E do calor das mantas de trapos
Sei das cabras o seu difícil trilho
E dos perus os seus grandes papos
Soube dos quartos da amiga lua
E dos ventos o tempo calcular
Sei dos vasos das flores da minha rua
E das brincadeiras em noites de luar
Sei das festas anuais da aldeia
Onde todos gostavam de participar
Adormeci embalado pela luz da candeia
Acordei manhã cedo com o galo a cantar
Corri descalço pelos campos de restolho
Livre como os pássaros soube sonhar
Ainda sei de cor o som do velho ferrolho
Que eu abria da porta para as galinhas soltar
Aprendi provérbios de tempos antigos
Deitei-me sereno sobre os feixes de palha
Contei pargas de nozes ,amêndoas e figos
Disse crente a frase <que Deus nos valha>
Mascarei-me na ilusão do Carnaval
Pedi pelas portas o pão de Deus com fé
Fiz o presépio no musgo do Natal
E nos Reis cantei janeiras com agua pé
Fiz o rabisco das oliveiras e das vinhas
Caminhei por montes e vales atrás dos caracóis
Da velha azinheira comi com gosto as azinhas
Tomei banho na ribeira junto com os rouxinóis
Recebi das mãos calejadas os afectos
E tive o colo da saudade das avós
Tive a felicidade de olhos repletos
Do brilho dos rostos que gostam de nós
Cresci com o tamanho da amizade
Alimentei-me nas palavras por inventar
Recebi com coragem a defesa da liberdade
Fiz-me poeta pela voz da poesia popular
Não me perguntem se isto é saudade
Ou apenas o encontro com a recordação
Tudo o que sei é que foi a minha verdade
E desta alegria e deste amor vive o meu coração.
Fernando de Santarém 21/03/2014
Num campo de amor
Por sorte cresci
Na casa do lavrador
Herdei por consequência
Um quinhão de esperança
Um arratel de vivência
Um quartilho de confiança
Uma canada de amizade
Tive moios de abraços
Entre almudes de fraternidade
Encontrei rumo para meus passos
Um alqueire me serviu de banco
Nele sentei meu corpo cansado
Nele vai justiça e para ser franco
Por ele em medida fui honrado
Conheci a medida da quarta
E o cantil ao canto da adega
Numa infância desmedida e farta
Numa carrada feita de trasfega
Talegadas de trabalhos
Tantos que dei e que fiz
Nas cartas feitas baralhos
Que fazem ilusões de petiz
Entre montes de esforço
Correram rios de suor
Gargalhadas fizeram alvoroço
Lágrimas silenciaram a dor
Os baraços ataram a vida
Dos molhos feitos de pão
Carregados na força adquirida
Na igualdade que há no coração
Fui da terra o amanhador
Entre balizas a seara marquei
De mãos cheias fui semeador
Há sombra da oliveira me sentei
Admirado contemplei a vida
Que é fruto de muito trabalho
E na sesta da tarde adormecida
Acordei com as manhãs de orvalho
Segui o carreiro das formigas
Brinquei com as joaninhas
Cantei dos pássaros as cantigas
Aprendi as historias das velhinhas
Andei pelos campos das tradições
De mãos dadas com o passado
Decorei versos e aprendi orações
Fui o arco-íris do céu nublado
Soube dos animais muitos segredos
Das tempestades admirei a grandeza
Tive os meus receios e muitos medos
Mas fui um filho amado da natureza
Sei da fonte o sabor refrescante
Sei do lagar e do odor do túnel
Sei do fumeiro a cor radiante
Das delícias que fizeram o farnel
Dos relheiros casa de bons coelhos
Das eiras o crivo que escolhe o grão
Das lagartas dos piolhos e escaravelhos
Da ternura do gato e da fidelidade do cão
Sei das ervas as mezinhas
Sei do sabor do azeite no pão quente
Sei do aconchego das brazinhas
E do chouriço assado em aguardente
Sei o conforto das camisas do milho
E do calor das mantas de trapos
Sei das cabras o seu difícil trilho
E dos perus os seus grandes papos
Soube dos quartos da amiga lua
E dos ventos o tempo calcular
Sei dos vasos das flores da minha rua
E das brincadeiras em noites de luar
Sei das festas anuais da aldeia
Onde todos gostavam de participar
Adormeci embalado pela luz da candeia
Acordei manhã cedo com o galo a cantar
Corri descalço pelos campos de restolho
Livre como os pássaros soube sonhar
Ainda sei de cor o som do velho ferrolho
Que eu abria da porta para as galinhas soltar
Aprendi provérbios de tempos antigos
Deitei-me sereno sobre os feixes de palha
Contei pargas de nozes ,amêndoas e figos
Disse crente a frase <que Deus nos valha>
Mascarei-me na ilusão do Carnaval
Pedi pelas portas o pão de Deus com fé
Fiz o presépio no musgo do Natal
E nos Reis cantei janeiras com agua pé
Fiz o rabisco das oliveiras e das vinhas
Caminhei por montes e vales atrás dos caracóis
Da velha azinheira comi com gosto as azinhas
Tomei banho na ribeira junto com os rouxinóis
Recebi das mãos calejadas os afectos
E tive o colo da saudade das avós
Tive a felicidade de olhos repletos
Do brilho dos rostos que gostam de nós
Cresci com o tamanho da amizade
Alimentei-me nas palavras por inventar
Recebi com coragem a defesa da liberdade
Fiz-me poeta pela voz da poesia popular
Não me perguntem se isto é saudade
Ou apenas o encontro com a recordação
Tudo o que sei é que foi a minha verdade
E desta alegria e deste amor vive o meu coração.
Fernando de Santarém 21/03/2014
terça-feira, 18 de março de 2014
Para te agradecer Pai
São breves as minhas imagens
Desse homem que tu foste.
São escassas as suaves memórias
De ver um carinho inesperado.
Muitos anos se passaram afinal
Para que soube-se como defenir
Tudo quanto sou e fui para ti e tu para mim.
Não que seja um só remorso
E tao pouco será ressentimento
Por saber tudo o que não me deste.
Lembro-me pequenino a olhar para ti
Esperando que me desses aquele chapéu de chocolate
Para mim era a maior fortuna
Qual tesouro ou jóia sagrada
Sentava-me no poial da nossa porta de casa
E admirava aquele raro mimo de carinho.
Não lamento o carro de bombeiros
Que tanto desejei e nunca tive
Ou aquele camião amarelinho
Que nunca carregou os meus montes de ilusões.
Porém deste-me o que nunca quis
Fizeste de muitos dos teus exemplos
Algo que me afastou da nossa família
Ensinaste-me o valor do sofrimento
Plantas-te no meu coração a dor
De desespero viste meus olhos de criança chorar
Não por me bater ou maltratar
Mas porque faltas-te com carinho e amor
Àquela mulher que tudo por mim suportou.
Sem saber fizes-te de mim um solitário
Mas encheste-me de um amor único
Sem razões para não acreditar
Que no fundo fizes-te o teu melhor
E se essa mulher que é minha mãe te perdoou
Porque razão haveria eu de não perdoar.
Pelas lágrimas dos meus tristes olhos
Afastei de mim qualquer desejo de ser pai.
A tua morte nesta vida nos separou
Mas se a minha morte acaso nos juntar
Quero que saibas que sou o filho que te amou
E que por maior dor não nega o teu nome
E com orgulho diz com carinho o nome que me dás
E quero dar-te o abraço que em vida não te pedi
E que tu não me foste capaz de dar
A este filho que por sorte soube perceber
Que és o meu pai ,que Deus te guarde em paz.
Fernando de Santarém 19/03 /2014
(José Paz)
Desse homem que tu foste.
São escassas as suaves memórias
De ver um carinho inesperado.
Muitos anos se passaram afinal
Para que soube-se como defenir
Tudo quanto sou e fui para ti e tu para mim.
Não que seja um só remorso
E tao pouco será ressentimento
Por saber tudo o que não me deste.
Lembro-me pequenino a olhar para ti
Esperando que me desses aquele chapéu de chocolate
Para mim era a maior fortuna
Qual tesouro ou jóia sagrada
Sentava-me no poial da nossa porta de casa
E admirava aquele raro mimo de carinho.
Não lamento o carro de bombeiros
Que tanto desejei e nunca tive
Ou aquele camião amarelinho
Que nunca carregou os meus montes de ilusões.
Porém deste-me o que nunca quis
Fizeste de muitos dos teus exemplos
Algo que me afastou da nossa família
Ensinaste-me o valor do sofrimento
Plantas-te no meu coração a dor
De desespero viste meus olhos de criança chorar
Não por me bater ou maltratar
Mas porque faltas-te com carinho e amor
Àquela mulher que tudo por mim suportou.
Sem saber fizes-te de mim um solitário
Mas encheste-me de um amor único
Sem razões para não acreditar
Que no fundo fizes-te o teu melhor
E se essa mulher que é minha mãe te perdoou
Porque razão haveria eu de não perdoar.
Pelas lágrimas dos meus tristes olhos
Afastei de mim qualquer desejo de ser pai.
A tua morte nesta vida nos separou
Mas se a minha morte acaso nos juntar
Quero que saibas que sou o filho que te amou
E que por maior dor não nega o teu nome
E com orgulho diz com carinho o nome que me dás
E quero dar-te o abraço que em vida não te pedi
E que tu não me foste capaz de dar
A este filho que por sorte soube perceber
Que és o meu pai ,que Deus te guarde em paz.
Fernando de Santarém 19/03 /2014
(José Paz)
segunda-feira, 17 de março de 2014
Andorinhas
Ficam pelo chão
As penas das andorinhas
Partem passado o Verão
Para saudades minhas
Partem com rumo certo
Deixam ficar suas casas
Deixam a rua aqui tão perto
Levando vida nova nas asas
Procuram o sol noutra terra
E de lá hão-de voltar a partir
Trazendo até nós a Primavera
E a alegria de as vortar a ouvir
Voando ligeiras sob os beirais
Carregando no bico a esperança
Fazem os seus ninhos intemporais
De barro amassado com confiança
Num entrelaçado de belos ninhos
Cada uma conhace o seu bom lar
Podemos ver os pequenos filhinhos
Felizes à porta para a rua a espreitar
De preto e branco vestidas
Que a natureza assim as criou
São as aves das Primaveras floridas
São o regresso que feliz se desejou
Viajam à milhares de gerações
Por rotas com séculos de história
São lendárias as suas migrações
São prova de resistência e memória
Vêem até a nossa terra e trazem as flores
Vão com o Outono para saudades minhas
Mas hão-de voltar trazendo de novo amores
Elas que eu desejo Primavera e as Andorinhas.
Fernando de Santarém 17/03/2014
As penas das andorinhas
Partem passado o Verão
Para saudades minhas
Partem com rumo certo
Deixam ficar suas casas
Deixam a rua aqui tão perto
Levando vida nova nas asas
Procuram o sol noutra terra
E de lá hão-de voltar a partir
Trazendo até nós a Primavera
E a alegria de as vortar a ouvir
Voando ligeiras sob os beirais
Carregando no bico a esperança
Fazem os seus ninhos intemporais
De barro amassado com confiança
Num entrelaçado de belos ninhos
Cada uma conhace o seu bom lar
Podemos ver os pequenos filhinhos
Felizes à porta para a rua a espreitar
De preto e branco vestidas
Que a natureza assim as criou
São as aves das Primaveras floridas
São o regresso que feliz se desejou
Viajam à milhares de gerações
Por rotas com séculos de história
São lendárias as suas migrações
São prova de resistência e memória
Vêem até a nossa terra e trazem as flores
Vão com o Outono para saudades minhas
Mas hão-de voltar trazendo de novo amores
Elas que eu desejo Primavera e as Andorinhas.
Fernando de Santarém 17/03/2014
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Santa Paciência
Vida eu sou só um
Uma história vivida
Vida que se acustuma
A história esquecida
Foi simples a passagem
Sem ser vida certa
Foi simples a imagem
Sem ser vida aberta
Vida que faço agora
Que forma é adequada
Vida fico dentro ou fora
Que ganho tudo ou nada
É bom ser liberdade
Mas onde mora o desejo
É bom ser longevidade
Mas quanto dura um beijo
Vida dá-me o prometido
Um tempo bom de viver
Vida de duplo sentido
Se és também deixas de ser
Cantando tudo é diferente
Soa a letra de melodia
Quem não vê não sente
Porque ri quem não tem alegria
Vida não és o que sonhei
Sigo num folgo apresado
Vida és o que não esperei
Qual augúrio do meu passado
É bom saber que te vivo
Mas onde mora a consciência
É bom ser tempo contemplativo
Vida meu ser de Santa Paciência.
Fernando de Santarém 27/02/2014
Uma história vivida
Vida que se acustuma
A história esquecida
Foi simples a passagem
Sem ser vida certa
Foi simples a imagem
Sem ser vida aberta
Vida que faço agora
Que forma é adequada
Vida fico dentro ou fora
Que ganho tudo ou nada
É bom ser liberdade
Mas onde mora o desejo
É bom ser longevidade
Mas quanto dura um beijo
Vida dá-me o prometido
Um tempo bom de viver
Vida de duplo sentido
Se és também deixas de ser
Cantando tudo é diferente
Soa a letra de melodia
Quem não vê não sente
Porque ri quem não tem alegria
Vida não és o que sonhei
Sigo num folgo apresado
Vida és o que não esperei
Qual augúrio do meu passado
É bom saber que te vivo
Mas onde mora a consciência
É bom ser tempo contemplativo
Vida meu ser de Santa Paciência.
Fernando de Santarém 27/02/2014
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
As Palavras
Tão curtas são as horas
Para a imensidão das palavras
Crescem como ervas daninhas
Para alegrias e tristezas minhas
Estas palavras inquietas
São como umas marionetas
Dispostas em frente dos olhos
Onde vivem palavras de sonhos
Onde nascem lágrimas cristalinas
Que brilham em cintilantes meninas
Quem dera poder conter o vazio
O vazio das palavras feitas ao arrepio
De um coração sem tempo para as viver
E sem um sentido para as perceber
Tão simples e tão complicadas
Que andam sempre de mãos dadas
As palavras que se dizem amigas
São como ninho de velhas intrigas
Sentidas como espinho encravado
Num corpo de letras dilacerado
À espera da hora do ponto final
Sem esperança no seu destino imortal
E sem saber como as dizer certas
E olhando-as de tudo desertas
Até do próprio acreditar somente
Que são palavras de muita gente
Tão comuns e tão vulgares
Palavras sem rostos nem lugares
Feitas tantas vezes ao acaso
Espalhadas em campo raso
Dando os textos às balas
As palavras que não falas
As palavras que escondes
Às quais tu não respondes
E num silêncio surdo e mudo
Negas as palavras ao mundo
Recusas dar as palavras à voz
Mesmo sabendo que são eco de nós
Mas com caneta escreves as palavras
Mesmo aquelas que a falar te recusavas
Ao texto das palavras dás a forma adquirida
E assim devolves as palavras à nossa vida.
Fernando de Santarém 20/02/2014
Para a imensidão das palavras
Crescem como ervas daninhas
Para alegrias e tristezas minhas
Estas palavras inquietas
São como umas marionetas
Dispostas em frente dos olhos
Onde vivem palavras de sonhos
Onde nascem lágrimas cristalinas
Que brilham em cintilantes meninas
Quem dera poder conter o vazio
O vazio das palavras feitas ao arrepio
De um coração sem tempo para as viver
E sem um sentido para as perceber
Tão simples e tão complicadas
Que andam sempre de mãos dadas
As palavras que se dizem amigas
São como ninho de velhas intrigas
Sentidas como espinho encravado
Num corpo de letras dilacerado
À espera da hora do ponto final
Sem esperança no seu destino imortal
E sem saber como as dizer certas
E olhando-as de tudo desertas
Até do próprio acreditar somente
Que são palavras de muita gente
Tão comuns e tão vulgares
Palavras sem rostos nem lugares
Feitas tantas vezes ao acaso
Espalhadas em campo raso
Dando os textos às balas
As palavras que não falas
As palavras que escondes
Às quais tu não respondes
E num silêncio surdo e mudo
Negas as palavras ao mundo
Recusas dar as palavras à voz
Mesmo sabendo que são eco de nós
Mas com caneta escreves as palavras
Mesmo aquelas que a falar te recusavas
Ao texto das palavras dás a forma adquirida
E assim devolves as palavras à nossa vida.
Fernando de Santarém 20/02/2014
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Imprudente
O Génio saiu de mim
Farto de estar fechado
Farto de estar fechado
Agora ao velo andar assim
Eu mesmo fico pasmado
Como se atreveu afrontar
A minha presença indiferente
Sendo Génio não pode vingar
Sem o eu ,meu ser de gente
O Génio na sua altivez
Arrogante negou o criador
Mas ou é ignorância ou estupidez
Não vive o amo sem o seu senhor
De que vais viver ò Génio
Sem um físico para te sustentar
Nem de louvor nem de prémio
Tu não vives sem um corpo vulgar
Podem ser largas as ruas
Podem ser gigantes as cidades
Podes ser luz de sol ou luares de luas
Mas sem mim não há genialidades
Quem é a mão que te guia
Ò Génio do saber sensato
Quem te revela essa magia
Tu o Génio de ser abstracto
Pois se queres a liberdade
Então mostra-me o caminho
Tu falso Génio da verdade
Pois um Génio não vive sozinho
Volta para a tua clausura
Onde vive a tua compreensão
Não te percas na minha loucura
Que não vives sem este coração.
Fernando de Santarém 17 /02 /2014
Subscrever:
Comentários (Atom)