terça-feira, 18 de março de 2014

Para te agradecer Pai

São breves as minhas imagens
Desse homem que tu foste.
São escassas as suaves memórias
De ver um carinho inesperado.
Muitos anos se passaram afinal
Para que soube-se como defenir
Tudo quanto sou e fui para ti e tu para mim.
Não que seja um só remorso
E tao pouco será ressentimento
Por saber tudo o que não me deste.
Lembro-me pequenino a olhar para ti
Esperando que me desses aquele chapéu de chocolate
Para mim era a maior fortuna
Qual tesouro ou jóia sagrada
Sentava-me no poial da nossa porta de casa
E admirava aquele raro mimo de carinho.
Não lamento o carro de bombeiros
Que tanto desejei e nunca tive
Ou aquele camião amarelinho
Que nunca carregou os meus montes de ilusões.
Porém deste-me o que nunca quis
Fizeste de muitos dos teus exemplos
Algo que me afastou da nossa família
Ensinaste-me o valor do sofrimento
Plantas-te no meu coração a dor
De desespero viste meus olhos de criança chorar
Não por me bater ou maltratar
Mas porque faltas-te com carinho e amor
Àquela mulher que tudo por mim suportou.
Sem saber fizes-te de mim um solitário
Mas encheste-me de um amor único
Sem razões para não acreditar
Que no fundo fizes-te o teu melhor
E se essa mulher que é minha mãe te perdoou
Porque razão haveria eu de não perdoar.
Pelas lágrimas dos meus tristes olhos
Afastei de mim qualquer desejo de ser pai.
A tua morte nesta vida nos separou
Mas se a minha morte acaso nos juntar
Quero que saibas que sou o filho que te amou
E que por maior dor não nega o teu nome
E com orgulho diz com carinho o nome que me dás
E quero dar-te o abraço que em vida não te pedi
E que tu não me foste capaz de dar
A este filho que por sorte soube perceber
Que és o meu pai ,que Deus te guarde em paz.


       Fernando de Santarém 19/03 /2014
              (José Paz)






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