São breves as minhas imagens
Desse homem que tu foste.
São escassas as suaves memórias
De ver um carinho inesperado.
Muitos anos se passaram afinal
Para que soube-se como defenir
Tudo quanto sou e fui para ti e tu para mim.
Não que seja um só remorso
E tao pouco será ressentimento
Por saber tudo o que não me deste.
Lembro-me pequenino a olhar para ti
Esperando que me desses aquele chapéu de chocolate
Para mim era a maior fortuna
Qual tesouro ou jóia sagrada
Sentava-me no poial da nossa porta de casa
E admirava aquele raro mimo de carinho.
Não lamento o carro de bombeiros
Que tanto desejei e nunca tive
Ou aquele camião amarelinho
Que nunca carregou os meus montes de ilusões.
Porém deste-me o que nunca quis
Fizeste de muitos dos teus exemplos
Algo que me afastou da nossa família
Ensinaste-me o valor do sofrimento
Plantas-te no meu coração a dor
De desespero viste meus olhos de criança chorar
Não por me bater ou maltratar
Mas porque faltas-te com carinho e amor
Àquela mulher que tudo por mim suportou.
Sem saber fizes-te de mim um solitário
Mas encheste-me de um amor único
Sem razões para não acreditar
Que no fundo fizes-te o teu melhor
E se essa mulher que é minha mãe te perdoou
Porque razão haveria eu de não perdoar.
Pelas lágrimas dos meus tristes olhos
Afastei de mim qualquer desejo de ser pai.
A tua morte nesta vida nos separou
Mas se a minha morte acaso nos juntar
Quero que saibas que sou o filho que te amou
E que por maior dor não nega o teu nome
E com orgulho diz com carinho o nome que me dás
E quero dar-te o abraço que em vida não te pedi
E que tu não me foste capaz de dar
A este filho que por sorte soube perceber
Que és o meu pai ,que Deus te guarde em paz.
Fernando de Santarém 19/03 /2014
(José Paz)
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