quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

As Palavras

Tão curtas são as horas
Para a imensidão das palavras
Crescem como ervas daninhas
Para alegrias e tristezas minhas
Estas palavras inquietas
São como umas marionetas
Dispostas em frente dos olhos
Onde vivem palavras de sonhos
Onde nascem lágrimas cristalinas
Que brilham em cintilantes meninas
Quem dera poder conter o vazio
O vazio das palavras feitas ao arrepio
De um coração sem tempo para as viver
E sem um sentido para as perceber
Tão simples e tão complicadas
Que andam sempre de mãos dadas
As palavras que se dizem amigas
São como ninho de velhas intrigas
Sentidas como espinho encravado
Num corpo de letras dilacerado
À espera da hora do ponto final
Sem esperança no seu destino imortal
E sem saber como as dizer certas
E olhando-as de tudo desertas
Até do próprio acreditar somente
Que são palavras de muita gente
Tão comuns e tão vulgares
Palavras sem rostos nem lugares
Feitas tantas vezes ao acaso
Espalhadas em campo raso
Dando os textos às balas
As palavras que não falas
As palavras que escondes
Às quais tu não respondes
E num silêncio surdo e mudo
Negas as palavras ao mundo
Recusas dar as palavras à voz
Mesmo sabendo que são eco de nós
Mas com caneta escreves as palavras
Mesmo aquelas que a falar te recusavas
Ao texto das palavras dás a forma adquirida
E assim devolves as palavras à nossa vida.


                           Fernando de Santarém  20/02/2014


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